quinta-feira, 10 de abril de 2014

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO...

      Dia amanhecido__
entre os céus e a terra
os sons dos pássaros



      Saí cedinho para caminhar pela orla. A brisa refrescava o outono e animava-me.
     Já no Arpoador, onde procuro comungar com toda aquela beleza, aquele esplendor natural,  passei próximo a um grupo de jovens que, notava-se,  tinha pernoitado ali.
     Perambulantes nas praias, arrumavam suas sacolas improvisadas com os poucos pertences e, ao manuseá-los,  sentia-se um forte mau cheiro.
     Ao passar pelo grupo, ouvi parte da conversa em que um deles 'orientava' o bando a usar corretamente determinada droga. Misto de horror e profunda piedade sacudiram meu espírito.
    Depois o grupo se dispersou calculadamente. De dois em dois se afastaram.
    De modo que, nem mesmo o insistente canto do bem-te-vi, nem mesmo todo o mar de ondas salientes, nem mesmo todo o azul reinante  conseguiram desanuviar  o meu coração. Sinto dó da juventude equivocada, carente, sem ideais nem força, sem discernimento. Tão sós, tão sofredores, tão perdidos...
     Busquei a companhia do sol, presente nesta manhã silenciosa e sentei-me, quieta, num dos bancos de madeira, ao lado de uma palmeira, cujas palmas, ao sabor da brisa delicada, deslizavam pra lá e pra cá, suavemente.
     Aos poucos, fui me conectando àquela maravilhosa paisagem e percebendo os gorjeios das lavadeiras-mascaradas próximas a mim. A natureza palpitava  e me uni a ela durante um bom tempo.
     Deixei o recanto onde recobrei energias e reiniciei  a caminhada da volta, não sem antes bebericar uma água de coco.
     Surpresa maior me esperava no quiosque! Ao invés de músicas inexpressivas o que ouvíamos ali era uma tocante Ave-Maria! Não podemos deixar que o abatimento se aninhe no coração; a vida nos reserva sempre surpresas, geralmente boas!...
    
    
    
    


sexta-feira, 28 de março de 2014

O MELHOR REMÉDIO

     A afirmação do poeta __" Os jovens andam em grupos, os adultos aos pares e os velhos andam sós"__ me fez refletir.
     Realmente, se formos observar com atenção, veremos que esta é uma  verdade, fruto da percepção de Quintana.
     Em bandos os jovens vivem suas vidas, cheios de energia e nem pensam nela. Vivem, somente. Andam confiantes, vangloriam-se das possibilidades imensas e sentem-se afortunados.  Há, por certo, alguns mais pensativos, sonhadores, tímidos que não se revelam de imediato. Mas são as exceções.
     Adiante, quando adultos,  geralmente  formam suas famílias, encontram seus pares. Se são dissolvidos, encontram um  outro para , novamente, se unirem, dispostos.
    Porém, quando os filhos já estão criados e saem de casa, comprometendo os lares formados em 'ninhos vazios' ou quando um dos parceiros sucumbe à doença e vem a morte, então lá se vai a expectativa da tal felicidade eterna.
     O bom é mesmo ter a casa cheia, os filhos, a família; depois vem o ocaso, a velhice__ e esta não vem de solavanco. Não, vem aos poucos, devagar... sorrateira. Os olhos vão cansando... a saúde sendo comprometida... a pele, ah! a pele tornando-se flácida, fina, delicada; noutros casos, cheias de manchas  e, em muitos idosos vejo até feridas que se rompem em peles ressequidas ao extremo. 
     Cabelos brancos ficam secos, opacos e haja tinta! Sobrancelhas ralas, unhas frágeis; lábios antes carnudos e viçosos, agora finos e retraídos.  
     Ossos comprometidos, colesterol, pressão, tudo motivo de preocupação. 
    Mas a solidão abala definitivamente. A criatura que não se desenvolveu espiritualmente, que só pensou em acumular bens materiais, que se deteve em demasia a artifícios para manter a beleza se sentirá perdida diante de tantos equívocos. Então, virá a depressão, a ansiedade e a melancolia.  Muitas vezes a amargura e os queixumes. Ou, então, tentará fingir que conservou a juventude e agirá como um idiota. Usará roupas inadequadas, frequentará lugares inoportunos e manterá uma atitude inconveniente. Tornar-se-á uma caricatura lastimável. Ou não?...
     Questiono porque o percurso é de cada um. Ninguém é o dono da verdade e não poderemos afirmar ao outro como se portar  com maturidade, inteligência e elegância.
     Vejo, com frequência, anciãos a usarem bengala. Tenho uma amiga carioca, residente  na Bahia, que precisou usar uma. Como ela é muito alegre e estava muito triste por isso, aconselhei-a a comprar uma bengala que fosse bonita ! Colorida! E que a enfeitasse! Não é porque a velhice chegou com seus problemas que temos que nos sentir opacos. Claro que não! Aceitemos , sem dúvida, mas com o coração alegre e corajoso.
     Costumo dizer que sou um tanto 'quixotesca', em minhas atitudes referentes àquilo em que acredito.
     No caso de minha amiga, ela aceitou a sugestão. Tem agora uma bengala linda, cor-de-rosa, com muitas fitas do Senhor do Bonfim. E toda vez que dela precisa , Rosilda sorri. Aliás, sorrir ainda é o melhor remédio para (quase) todos os males.
    
    
Os pássaros
já partiram todos.
Mesmo a nuvem solitária
afasta-se ao longe.
E nós, minha montanha,
ficamos aqui, os dois, sozinhos,
a nos contemplar
um ao outro
sem nos cansar jamais.

                                       (Li Bai)



    
     

sexta-feira, 7 de março de 2014

UM ANJO DISFARÇADO

     Ela sentiu que aquela manhã seria especial! Era uma sexta-feira nublada, abafada, março, final de verão. Então, de máquina fotográfica em punho, lá foi, rumo à lagoa. Cuidadosamente, colocou a máquina_ sua infalível companheira de passeios, na mochila.
    Assim, animada, caminhou pelas ruas próximas que a levariam até àquela paisagem magnífica de um Rio de Janeiro que anda meio desprezado.
     Caminhou por uma, duas, três,  mais outra, ainda mais uma e, finalmente,a paisagem exuberante fora descortinada. Pássaros de várias espécies, cantoria, árvores, flores, águas plácidas e o céu... Ah! Aquele céu revitalizante!...
     Ficou algumas horas caminhando pelas pistas, às margens, sempre à procura de algo inusitado. Encontrou sabiás, bem-te-vis, patos, biguás, martins-pescadores, sanhaços e até um  galo-de-campina! Descobriu ninhos de joão-de-barro e entusiasmou-se com  o casal apaixonado de araras azuis.Foi uma experiência incrível!... Sua intuição estava certa.
     Resolveu voltar para casa, mesmo a contragosto, já que o sol despontara e o calor estava quase insuportável. Suava. O boné e os óculos escuros a protegiam um pouco; no entanto, os tênis e as meias a importunavam. Sentia sede, cansaço, dor nos pés.
     Atravessou a rua principal no semáforo e  pretendia retornar pelo  mesmo caminho. Lembrou-se de uma Cafeteria perto dali e decidiu que o seu café da manhã seria lá. Ao atravessar bem em frente à loja, percebeu uma senhora deficiente que, confusa, balançava sua bengala branca batendo na grande árvore da esquina. 
     Chegou  perto e perguntou à cega se aceitaria ajuda. Notou que muitas pessoas passavam e olhavam a cena com frieza e uma certa repulsa. A senhora já tinha idade avançada e era muito humilde. Trajava uma saia preta desbotada e a blusa, surrada, com trilhas de manchas respingadas. Num dos braços, uma bolsa escura bem velha.
     Ela agradeceu e sabia direitinho onde queria chegar, mas disse que, se a ajudasse na travessia,  já lhe bastava. Assim foi feito;  no entanto, a mulher não conseguiu deixar que aquela figura franzina e cambaleante, tocando com a sua varinha tosca os postes enfileirados pela calçada, seguisse sozinha. Não. Seria muita indiferença. Voltou-se e segurou-a pelo braço fino e trêmulo, confessando sua intenção. Levaria a senhora até o ônibus do metrô, sim!
     A cega, então, não se conteve e a abençoou  até entrar na condução. Foi contando pelo pequeno percurso a dificuldade que passou a ter depois de um tombo no metrô. Quebrara a bacia e depois de muitos exames e atendimentos iria ser operada. Mas, às vésperas, o médico foi removido do hospital e a sua operação cancelada...Nem comentou da cegueira. Todos os dias vinha até à Igreja para rezar e citou o morro onde morava. A acompanhante provisória ficara admirada com tamanha lucidez e tranquilidade ante aquela vida aparentemente tão precária. 
     Retornou para  tomar o seu café, mas o coração já estava alimentado pelo sopro do amor. Um gesto pequeno mas fundamental para quem precisa de um socorro. O socorro da atenção e do carinho.
    E  fora revigorada não só pela contemplação da natureza, mas também  pelo contato com aquela anônima criatura de voz doce  transbordante de ternura.




Nota: Ao colocar o título 'UM ANJO DISFARÇADO' refiro-me à cega que deixa a todos nós o exemplo da humildade, brandura, paz de espírito ante a adversidade da sua existência. Mostra-nos também a força coerente com a sua fé.
 Quanto à mulher que a ajuda, sua atitude deveria ser comum a todos nós, seres humanos.
    
    
    

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

NOVA MANIA

     Lembro-me ainda, era menina e morava numa casa acolhedora no final de uma bucólica vila, na zona norte da Cidade Maravilhosa.
     Mamãe sempre pressurosa, atenta a tudo e a todos. Cuidava da casa com esmero. Ao final do dia, papai colaborava, colocando o lixo no grande latão forrado até a borda com jornal. Pela manhã, o caminhão estacionava à  entrada da vila e o lixeiro recolhia o lixo de cada residência.
     Depois de ler a matéria de certa revista, que discorre sobre a implantação do 'lixo zero', a memória  ativada  percorreu a infância, num tempo em que sacos plásticos não eram comuns. O que comprávamos  em padarias e armazéns vinham em embalagens de papel. 
    Dezenas de entrevistas e reportagens aguçaram tanto a minha curiosidade como a minha criatividade. Há algum tempo rejeito as sacolas do mercado; decidi que um carrinho de feira, desses modernos, fechados, pode ser bem útil. Com ele sigo ao horti- fruti, ao mercado, à feira, à padaria...
     Compras pequenas? Coloco-as diretamente na bolsa, junto com a nota, é claro. Por exemplo, quando vou à farmácia. Mesmo os saquinhos de papel podem e devem ser desprezados.
     Meu neto aniversariou e observei a quantidade enorme de papel e caixas de cartolina e de papelão embalando os brinquedos. Constatei, então, que a consciência ecológica esta só começando.
      Uma  mudança  de hábitos torna-se difícil porque é trabalhosa. O caminho é longo. "Num país onde ainda  se descarta lixo nas ruas e sofás em rios..." , pensar e agir de forma coerente para nos salvarmos e também o planeta lindo e vivo como a Terra, é tarefa espinhosa.
    Estamos acostumados ao desperdício e ao consumo supérfluo. Sujeitarmo-nos a novas regras e costumes, criarmos um novo olhar observando o desenrolar ativo da natureza que tudo transforma é o nosso mais recente, implacável e urgente desafio.
          Abandonei o hábito da lixeirinha na pia; reaproveito ainda alguma sacola na lixeira da cozinha; o recipiente para colher o lixo do banheiro agora forro com uma folha de jornal. Quanto ao material reciclável, como latas, potes de vidros e vasilhames, passo água  antes de separá-los. Mandar o material limpo, dizem os entendidos, seria a maior ajuda que a sociedade poderia dar. Simples  atitudes mas que demandam atenção, dedicação e um pouquinho a mais do nosso tempo.  
     O nosso planeta é um ser  palpitante e merece de nós todos os cuidados para que não sucumba pela  nossa frieza, decadência e má educação. 
     Reduzir  o consumo( quanta coisa joga-se fora!), recusar sacolas, reaproveitar, reciclar: esta é a nova mania que, espero,  dure para sempre!...
      Devagarzinho  vamos contribuindo, fazendo a nossa parte.
     

sábado, 1 de fevereiro de 2014

ROSEANE, UMA ANTIGA ALUNA

     O tempo passa mas as lembranças persistem... o tempo passa, mas o coração sabe reviver as boas emoções... O tempo passa, passa... e tudo o que foi realizado  parece retornar.
     Digo isto pois estou ainda sob o leve impacto de um telefonema inesperado. Toca o telefone , atendo e uma voz doce me revela uma antiga aluna que ainda se lembra de mim .
     Recordo cada aluno em detalhes. Sua personalidade, sua aparência, seu comportamento, suas qualidades. Como foram importantes estas pessoas na minha existência! Trouxeram a alegria pra refrescar o coração, trouxeram o encanto da pureza que se revelava nos mínimos atos, nas palavras, nos sorrisos; o alento pra combater qualquer indesejado desânimo; a oportunidade para que eu pudesse me realizar, ajudando-os em sua formação; trouxeram o vigor da infância, ansiosa para aprender, para se divertir, para viver.
     Por alguns anos me dediquei  à educação. Cada ato meu era composto de muito amor. Amei  também com a pureza da minha alma e com todo o vigor do meu espírito. Era entusiasmada, preparada, estudiosa e determinada.
     Hoje percebo, decorridos cerca de quarenta anos, que valeram a pena os esforços e toda a dedicação.
    O telefonema da antiga aluna encheu-me de alegria. Relatou-me fatos que minha memória não alcançava mais. Mas à medida que foi contando, fui relembrando. Quanta felicidade!
    Esta é a recompensa para um professor: que os seus alunos se tornem pessoas de bem,  com possibilidades de serem felizes pela própria conduta, pelo  próprio esforço continuado. Nós, professores, contribuímos para a  construção do ser.
     Deixei marcas no coração e na mente da minha querida Roseane. Aquela menina cheia de encantos e meiguice  tornou-se valorosa mulher, guerreira, destemida, mãe e esposa extremada. Lembra-se de mim com tal ternura que agradeço comovidamente.
     O professor é a peça mais importante na educação e na formação de um povo. Com o espírito radiante recebi as palavras de afeto. E elas permanecerão para sempre no meu coração cheio de gratidão. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

FALSA ELEGÂNCIA

     Dias de muito sol, termômetros subindo, corpo sentindo pressão, cansaço; então, cedinho, fui à praia aproveitar a brisa serena, o mar um tanto adormecido ainda, as fragatas já despertas, voando alto, alegres.
     Poucos são os que se aventuram, assim, quase de madrugada. 
    Pequenos pássaros arriscam-se chegando bem próximo do derramar das delicadas ondas; a lua lá está, afrontando o sol e o céu, como pano de fundo, num azul magnífico!
      Teimo em apreciar  minuciosamente a paisagem que se descortina vigorosa! Considerados por muitos como 'pequenos prazeres', mas que, no entanto, fazem a minha alma transbordar alegrias. Ela se enche de satisfação, de felicidade, de vida.  Na Natureza é tudo tão intenso e tão farto!
     Aproveito o sol amainado pelas brisas, verifico a refrescância das águas, mergulho uma, duas, muitas vezes e me deixo sorrir , embriagada de tanto contentamento.
      Relaxo o corpo na canga colorida e cubro o rosto pela aba do boné do Projeto TAMAR, mas deixo propositadamente uma pequena fresta, por onde posso continuar meu deleite ao observar a amplitude do mar e dos céus.
     Sorvo este cheiro bom da maresia! Indecifrável aroma que me refresca.
     Fico assim por um bom tempo. Não levo relógio! Ah, não. Em momentos como este não se marca tempo; fica-se até não querer mais.
     No caso, estava com sede e resolvi ir ao quiosque mais próximo saborear uma deliciosa água de côco; aproveitei, li algo edificante_  ando sempre com um pequeno livro na bolsa.
     Nisso, vem da areia, na minha direção, uma senhora muito elegante. Trazia uma bela sacola de praia, vestia um belo biquíni comportado, o cabelo erguido num coque e preso displicentemente num leve boné de ráfia. Chega à mesa onde eu estava acomodada e pede licença para se ajeitar.
   __ Pois sim, disse-lhe eu, fique à vontade!
     Continuei observando-a. Ela carregava consigo um saco plástico cheio d'água e foi então que vi a triste cena:  colocou pé por pé dentro daquele enorme saco para lavá-los, depois, sem a menor cerimônia, largou o saco ali mesmo, deixando tudo sujo e molhado! Enxugou os pés bem tratados, vestiu suas caras meias de algodão e calçou seus tênis importados. Levantou-se e tomou o seu rumo.
      Tudo falso, tão falso quanto a sua pretensa jovialidade e a sua aparente elegância.
     Voltei os olhos para o horizonte. De lá vinha um turbilhão de aves marinhas. Quanta força! Quanta beleza!...
        

domingo, 10 de novembro de 2013

EIA, SÔDADE !...

 
    Aos domingos, costumo ver e apreciar um dos programas da TV que mais me emociona. Refiro-me ao Viola Minha Viola, da cantora de música caipira de raiz, a grande Inezita Barroso.
    Sem dúvida, estas composições, em que inspirados poetas do interior do Brasil criaram, já são raras. O que se vê e ouve como músicas sertanejas são verdadeiros shows pictóricos, alguns com exibições prá lá de estranhas, artistas 'voando' sobre plateias alucinadas... Rebolados insinuando atos sexuais, caras e bocas nada dizendo e milhões de reais circulando e assim, incentivando  cantadores a enveredarem por estes caminhos.
    Valores perdidos, ficamos meio empobrecidos. Mas Inezita lá está, à frente de um dos mais belos programas em que a sensibilidade está presente, recuperando a memória dos autores que deixaram verdadeiras obras primas no nosso cancioneiro.
    Neste domingo fresco ainda, depois de percorrer numa caminhada leve a orla belíssima de Copacabana, chego em casa, preparo o meu café e ligo a televisão. Lá está ela, sempre simpática e otimista, com seu jeito peculiar: Inezita Barroso, a grande dama da música, que canta as belezas da Mãe Natureza, das flores , das aves, do sentimento caipira e apresenta uma lista infindável de gente criativa desse Brasilzão.
 
    Súbito, eis que a ideia da saudade irrompe do meu coração e escrevo:
 
 
Domingo... Eita dia marvado
Sôdade invade o peito
Pra arrancar o coração...
 
E o pobre do coitado
Agoniza, atordoado
O peito esvaziado
Sente farta do amô...
 
E pregunta a toda gente:
__ Cadê a felicidade?
__ Foi-se embora, meu sinhô...
 
No campo todo lavrado
Com as águas de tanta dor
Ao invés do coração
Brota um canteiro de frô...