sábado, 25 de junho de 2011

    " O que fiz hoje para ajudar o mundo" não sei, sinceramente; porém, tentei manter o pensamento calmo quando não fui entendida, sorri para quem estava carrancudo(afinal, em Palavras Transformadas escrevi, convicta: 'Quer ouvir a melodia da alma? Sorria!'), descobri uma maneira mais alegre de trocar ideias, sem querer impor as minhas com pretensão, dirigi com elegancia, fiz a caminhada costumeira respondendo aos cumprimentos com simpatia, tratei a pessoa que ajuda nos afazeres domésticos com afabilidade, procurei entender a vizinha  triste e solitária.que teima num comportamento azedo e malicioso. Mas 'escorreguei' a falar com uma amiga tentando fazer graça, a entristeci; perdi a paciencia com um aluno inquieto;  teci comentários negativos e um tanto maldosos; abandonei amizades iniciantes por não acreditar na sua pureza e sinceridade.
  Sinto-me meio cansada, confesso, de tantas informações e noticiários atordoantes que nos deixam cada vez mais perplexos e atemorizados; ainda insisto em poetizar, procurando a inspiração na natureza como recurso definitivo .
   Em cada´pássaro, um canto revelador; em cada árvore, a sensação de proteção e amizade;

sexta-feira, 20 de maio de 2011

CUCA

    Há dias a cadelinha Cuca está alterada. "Hormonios", diz minha filha.
   Já tive uma, desde criança e minha mãe deu o nome de Mimi, que eu não aprovei. Pensava 'não é gata, como chamá-la Mimi?' Mas acostumei-me e a cadelinha também. Mimi pra cá, Mimi pra lá, foi uma grande companheira. Fazia-me acreditar que era o máximo quando chegava em casa, feliz, porém cansada, pois dava aula para crianças e as turmas eram sempre enormes. Não recusávamos alunos.Mimi vinha toda contente, balançando o rabinho, com aqueles olhinhos tão expressivos, revelando carinho. Era muito meiga e obediente. Viveu treze anos.
    Agora, tenho convivido com Cuca, sapeca, saltitante, pouco obediente, alegre, companheira, de gênio forte. Logo depois do cio, 'adotou' um brinquedinho (uma joaninha de borracha) como seu filhote. Rosna quando chegam perto dela, fica toda encolhida protegendo-a e tentando amamentá-la.
    Nesta tarde, passou a me 'chamar' com pequenos latidos de um som fino e delicado, quase um choro. Queria que visse a sua cria. Entendo pouco do ser humano, tento entender-me, mas de bicho quase nada sei, confesso. Então, como de louco e médico todos temos um pouco, vali-me da naturalidade, da confiança, do meu lado infantil que estava querendo se soltar e peguei um peso de porta que é uma tartaruga. Coloquei ao seu lado. Eu não sabia qual seria a sua reação. Parabenizei-a pelo lindo filhote e ela me olhou com atençao e meiguice. Até que deitou sua cabecinha sobre a cabeça do bicho de pano. E ali ficou, quietinha. Acalmou-se.
    Então, eu e minha filha finalmente podemos terminar de assistir a comédia na tv.
 
 
   
    

                                                           
                                                                                                           
                                                             
   

terça-feira, 26 de abril de 2011

SEMEANDO POESIA

   Observava tantas pessoas tímidas nos grupos que frequento!...  A alma estava em ebulição, porém, o comportamento era contido, controlado. Em demasia.
   Foi assim que surgiu a idéia de criar um Projeto: Semeando Poesia, onde procurei estimular a criatividade  visando a criação de poemas.
   A experiência proveitosa foi na Biblioteca Popular de Botafogo,  na pracinha da rua Farani e, pouco tempo depois, também na Biblioteca Popular de Copacabana. Nesta, tive a alegria de receber pessoas tão generosas, pois que já são poetas respeitados no meio literário há muito tempo. Ali, portanto, a abordagem foi um pouquinho diferente.

Biblioteca Machado de Assis (Biblioteca Popular de Botafogo)

   Organizei-me, detive-me nas pesquisas dos poetas brasileiros que deixaram marca forte, a servirem de exemplos de expressão. E concluí o Projeto amealhando inúmeros exercícios e atividades específicos para que alcançássemos o nosso principal  objetivo. Procurei direcionar aquelas mentes tão ricas para o caminho da expressão. Sem arreios. Nem cobranças.
  Além de todo um planejamento, incluí também técnicas quase revolucionárias para que aprendessem a se encontrar consigo mesmos. E a partir daí a criatividade evoluísse. A experiência deu certo. Os participantes que continuaram até o final dos encontros se mostraram mais confiantes, alegres  e criativos. Foi uma descoberta! Uma explosão de poemas e idéias enriqueciam nossas tardes. 
   Uma das 'normas' era que não houvesse crítica de maneira nenhuma. Absolutamente proibida! Como somos sensíveis a elas! Geralmente o artista é muito sensível seja qual for sua arte, o caminho de sua expressão. Portanto, há de se ter cautela ao comentarmos sobre a sua atuação. 
   E eu irei além: Pra que serve a crítica? Mário Quintana já dizia que  crítico é aquele que não sabe criar , por isso só lhe resta criticar. Pois quando julgamos a obra, estamos censurando quem a produziu e a humanidade é um tanto cruel. Não é comum as pessoas refletirem sobre o outro. Ninguém imagina o caminho percorrido por aquele artista que está ali, se mostrando por intermédio da sua arte. Pela sua criação ele manifesta a  alma inteira(1).
   Tenhamos portanto mais cautela ao lidarmos com o artista. Esta pessoa que , definitivamente, tem um dom, o de fazer contato com o outro por um caminho mais sutil que os sentidos comuns.  Ele vive em perpétua tensão emotiva e vibração interior(2).
   Semeando Poesia abriu-nos um campo de possibilidades, permitiu-nos um desenvolvimento pelo conhecimento, tornou-nos mais flexíveis, mais atentos às nossas próprias emoções. Mais prósperos.
   Tal como o educador, o artista está a serviço do espírito(3). Ele toca a sensibilidade do outro, interfere em sua corrente de energia e alimenta a alma. 
  

  
   CITAÇÕES :

1- Lioneto Venturi
2 , 3 - prof. Onofre Penteado Neto
  
  
  
  

quinta-feira, 7 de abril de 2011

BASTA !

   Basta por hoje. Não quero mais  noticiários escabrosos. Lá fora o sol ruge, as folhas                estremcem ao sabor da brisa e o canto do pássaro ainda se faz ouvir...
   Por hoje, basta! Não suporto  mais a  imbecilidade, o desafeto, a vergonha da carícia, o desamor, a ignorância levada ao extremo.
   Hoje eu não suporto mais a indiferença, os pré julgamentos, a acomodação, a limitação, a doença da alma, o cinismo, a incompetência, a imaturidade. Não! Ouçam-me! Não suporto mais.
   Preciso de ar puro!...
   Por que insistem os desalmados nos comentários? Por que, meu Deus, o clamor à injustiça, à crueldade?
   Saio do Facebook constrangida; paro de twittar; vejo as falas tristes a serem        repetidas sistematicamente   ! Estarão todos hipnotizados?Uma das técnicas de aprendizagem é a da  repetição. Vejo, com tristeza, o esmiuçar dos crimes bárbaros... Não. Isso eu não quero mais!
   Onde está a poesia? Até a Natureza parece recolhida,  amedrontada, inibida. Soluçam as vítimas, soluçamos nós.
Mas não desejo ver estampado na sala o rosto do malfeitor, porque ele se posta ali, sem cerimônia, na tela da tv, olhando para mim, com seu olhar sarcástico, tão perdido... Não. Não por hoje. Isto eu não quero mais.
   Chega de tanta incoerência. Será que não despertamos ainda, que insistimos na resoluçao do problema de forma equivocada? Quando um jarro está sujo, deixemos a água limpa e fresca penetrar nele; aos poucos, todo o conteúdo do vaso se tornará limpo. Noticiar é uma coisa; agora, repetir, repetir insistentemente já faz parte da doença de toda uma sociedade que está tão perturbada que não vê saída. Elevar o pensamento, elevar o nosso espírito! afeiçoarmo-nos às coisas puras, boas, limparmos os nossos corações das maldades__mesmo que  as pequenas. Há muita coisa a ser feita. Comecemos já. Ou  um buraco tão grande quanto o do       ozônio  abrir-se-á nos nossos corações.
   Não podemos perder o prumo. E não é repetindo o noticiário atual , seja      em conversas   tête à tête ou virtualmente,   que conseguiremos. Isto adormece a consciência, cria um torpor  na alma , medo e desânimo. E a criatividade para encontrarmos as soluções estarão arrefecidas.
  
  

domingo, 27 de março de 2011

DIOGO & BARÃO

   Os dois heróis__ Diogo e Barão, aclamados neste domingo estranho, mormaço fervilhante ,  nublado, sujeito a chuvas e tempestades. Rio de Janeiro, praia de Ipanema, oito horas, mar meio agitado, quase ameaçador, engulindo o que via pela frente.
   Garrafas d'água, displicentes, pela areia escura. Corpos estendidos em panos coloridos. Passos apressados à beira do mar encrespado.
   Repentinamente, aqueles dois incautos  longe, tão longe... e um apito no ar. Céleres, Diogo e Barão correm velozmente. Já não são mais seres mortais comuns. Não. Crescem à nossa vista. Tornam-se heróis pela agilidade, firmeza , pelo raciocínio perfeito, competência nas águas turbulentas. Sabem o que fazer. São heróis do mar. NETUNO os respeita e abre as suas águas acinzentadas , os céus se alvoroçam e fragatas partem do horizonte rodopiando no ar e testemunhando tudo.
     Nadam e enfrentam, destemidos, as ondas avassaladoras. Até que chegam aos dois rapazes e os enlaçam com seus braços acostumados a salvar vidas.
   Diogo e Barão__ simples assim, de uma simplicidade comovente. Trazem até à areia os dois moços , avaliam suas condições e rumam pela orla, naturalmente, a colocar avisos em placas vermelhas: "Cuidado - Correntezas" . 
   Os pretensiosos, os tolos, os ingênuos  continuarão a dar sustos. Mas eles, os salva-vidas,  também estarão a postos, atentos ao mar e à vida humana.
   Esta é a minha homenagem a esses bravos heróis anônimos, força da juventude lúcida e disposta a fazer o bem sem alarde.


quarta-feira, 23 de março de 2011

CIDADE DE DEUS

   Visita, confraternizações, alegria, entusiasmo num bairro que, não faz muito tempo, fora motivo de medo e apreensão.  Obama e sua simpática família lá estiveram para comprovar a gente boa do lugar.
   Trabalhei no bairro da Cidade de Deus há muitos anos. Vivi um tempo em que as pessoas que ali residiam era gente trabalhadora, esforçada, que queria melhorar a vida. O grande número das casas simples, pequeninas, evidenciavam a classe pobre da população do Rio, que fora transferida de algumas favelas para o novo bairro. Pobre sim, mas determinada e esperançosa de um futuro promissor.
   Gostei tanto deste lugar que permaneci trabalhando ali por alguns anos seguidos, acompanhando turmas desde a classe de alfabetização.
   O bairro era tranquilo, a conduçao farta e segura _havia até Kombis da Prefeitura!_ a Escola ampla, arejada, construção moderna. E os alunos, ah...os alunos! Crianças queridas cuja lembrança afago até hoje no coração. Havia os engraçados, os artistas, os que chegavam atrasados e cansados, pois tinham trabalhado na feira ajudando a mãe, os confusos, os atrapalhados, os traquinas, os estudiosos, os quietos, os calados, os sofridos. Mas não havia  nenhum temido. Não! Todos, cada qual com seu jeito, sua história de vida, cada um deles com seus dons e suas virtudes eram como células de um organismo que pulsava harmônico.
   Eu sempre inventava passeios e a condução teria que ser gratuita. Eu sabia pedir! As Forças Armadas davam uma ajudinha. Não me importavam  as dificuldades. Aquelas crianças tinham ânsia de aprendizado, de vida, de alegria e confiavam tanto em nós, que não podíamos jamais frustrá-las! Além das aulas das letras e dos números, havia a de Conhecimentos Gerais, que abrangiam História, Geografia e Ciências, de Música, de Religião, de Educação Cívica, de Artesanato, de Recreação . Então, providenciamos os passeios para complementar o aprendizado.
   Descobri que muitas não conheciam o mar. Pois foram apresentadas a ele. Certa vez  viajamos na Kombi do padre da região! Íamos e voltávamos cantando, felizes. Foram vários os passeios: Fábrica de sorvetes Kibon, Museu do Índio, desfile do 7 de setembro em lugares reservados e muitos e muitos outros...  
   Guardo na memória ainda a sala espaçosa , a sólida mesa de madeira e o vasinho tosco diariamente abastecido de rosas . Pequeninas rosas do jardim da casa de um aluno nosso, filho de portugueses( as classes eram variadas: nortistas, nordestinos, cariocas, sulistas, portugueses e até um simpático coreano!), loiro, sorriso farto, bochechas rosadas.
   Agora existem também as Ongs que colaboram realizando um trabalho belíssimo e bastante diversificado. Porém, nos idos de 70, éramos somente nós, professores, que tratávamos de modo amplo da Educação e da formação do povo brasileiro na figura ainda frágil e ingênua das crianças.

quarta-feira, 9 de março de 2011

GOSTO, CRIAÇÃO, COLIBRI, CARNAVAL E PERFUME DO MAR

   Saí para um cineminha. Sala Laura Alvim, "A Última Estação", filme que narra o grande amor de Tolstoi por sua esposa e a reviravolta que ele mesmo dá nos últimos anos de sua vida. Não consegui. Lotação esgotada. Parecia um bom assunto, com consistência, diferente do que tinha pego na locadora para ver no aconchego de casa: "Borat", um lixo. Incrível ter ganho vários prêmios. Comédia escrachada demais para o meu gosto. Mas gosto não se discute.
   E falando nisso, como há tantos concursos artísticos? Tantos julgamentos? Criação não se julga. Técnica talvez. Mas a técnica muitas vezes oprime, reduz a fragrância, a fulgência, o brilho da criação. E essa não é somente a minha opinião. Alberto Caeiro(Fernando Pessoa) e Mário Quintana dentre outros nos advertem. 
   O artista exulta, vive noutra esfera, com sentimentos exacerbados no momento da criação, que será sempre  único e palpitante. Refiro-me à arte saudável, àquela efervescência, àquela ebulição do espírito.
   Mas o que eu  ia contar era que, por uma coincidência, estava vestida com uma camisa,  onde um colibri lantejoulado e beijando uma flor espetacularmente cor-de-rosa estampava a  malha branca. Justamente hoje, que foi declarada vencedora a Escola de Samba Beija-Flor! Muitos me olhavam, a camisa chamava a atenção. Como é natural do ser humano o julgamento, a conclusão precipitada, deviam estar achando que eu  comemorava. E pensar que passei um carnaval quase religioso...como num mosteiro, numa reclusão de fazer dó. Imaginei estar num retiro espiritual, em minha própria casa. Para diminuir a tensão. Sair em dias de carnaval? Não é possível. Digo isso porque as coisas mudaram. Para pior. Como já escrevi noutra página, muito lixo, pequenos furtos, bebedeira, uma loucura. Moradores de um prédio aqui desta rua limpavam hoje a frente com creolina... lastimavam tanta sujeira e fedor!
   Mas ontem, terça-feira, consegui vencer os temores e, mesmo com a chuva fraca, o céu cinza, fui fazer a minha caminhada costumeira. Ah! O cheiro revigorante do mar!... Precisava ir ao Arpoador, subir a pedra, sentir toda aquela magnitude e amplidão. E me surpreendi com muitas pessoas que, como eu, ali estavam, no passeio matinal, usufruindo das delícias dos ares da manhã fresca de Ipanema, que não mudará nunca.