domingo, 13 de novembro de 2011

"O MAIOR POETA NEGRO DO BRASIL..." ?





Ouvi hoje cedo, pela manhã, um comentário sobre o poeta Cruz e Souza, algo assim: "...o maior poeta negro do Brasil..."etc etc. Fiquei pensativa: Por que o "negro"? Já separou, já isolou. Poeta é poeta, artista é artista; não haverá limites, nem de credo, nem de nação, nem de condição social, nem de sexo, muito menos de raça, cor de pele... Vamos acordar!...

Fala-se tanto em vencermos preconceitos, mas , sem percebermos, estamos chafurdando nele! Cerceamos, minimizamos, confinamos a criação e o criador, como se isto fosse possível.

Faltam-me, talvez, as palavras mais adequadas para exprimir o sentimento de aversão a toda e qualquer , por mais diminuta que seja, oclusão e diminuição do ser humano.

Outra questão que trago à baila é dizer-se de um criador que ele é o maior; então haverá o menor... e quem há de ter a condição para julgar?

Acho tudo isso uma grande bobagem; enquanto ficamos especulando, nos debatendo nessas questões de rótulos, o artista paira acima das pequenezas do mundinho de vaidades e de tolices que, infelizmente, alimentamos, insuflamos ao longo do tempo. E tempo é preciosidade para manifestarmos o que nos vai na alma, seja em forma de poemas ou de qualquer outra manifestação criativa.

Só precisamos, para alentarmos a nossa preciosa vida, saborearmos a Arte:

"...

E na harpa do teu Sonho, corda a corda,

Deixa que as ilusões passem cantando

..."


















sexta-feira, 14 de outubro de 2011

TERROR

O turista americano flagra a explosão no restaurante, o desmoronamento parcial do prédio, as vítimas sendo socorridas no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Pensou que era um ataque terrorista!... Já estão condicionados... explosão= terrorismo.


O restaurante usava gás ilegal.


Não, Sr. Turista Americano, não precisamos de terroristas. Nós mesmos nos aterrorizamos. Incultos, cheios de empáfia, de soberba, altamente complexados, com baixa autoestima_tanto que valorizamos por demais os outros países. Desprezamos, até mesmo achincalhamos(em filmes que ridicularizam a nossa História, por exemplo), as nossas bases, a nossa origem, o povo indígena, o seio africano, os colonizadores que deixaram suas marcas benfazejas. Somos esta mistura maravilhosa. Fazemos um discurso bonito, mas falso, pois desprezamos nossas origens, sim! Preconceituosos e ignorantes. Não, amigo Sr. Turista, não precisamos de terroristas!...


Importamos comportamentos, vícios e pensamentos. E esta mistura de raças nos fez tão criativos! Infelizmente a capacidade criativa mina-se com a fragilidade de raciocínio e com sentimentos de descrédito arraigados em nós ainda.


Quando melhoramos um pouquinho, o nariz arrebita, o olhar torna-se pedante, a aparência petulante. Mas vamos em frente!... Um dia nós, verdadeiramente, seremos instruídos e saberemos amar este país, respeitando o nosso passado, tentando compreendê-lo, assimilando as diferentes culturas que aqui deixaram suas sementes, cultivando a honestidade e, de uma vez por todas, banindo a ignorância, o atraso e a corrupção.


Não, Sr. Turista, definitivamente, não precisamos de terroristas. Nós mesmos já nos aterrorizamos.


sábado, 8 de outubro de 2011

LACERDAS


No tempo em que eu era estudante do Colégio Pedro II, o único imprevisto calamitoso que poderia ocorrer a qualquer um de nós seria o ataque imprevisível dos lacerdinhas!... Quem foi desse tempo e sabe do que estou falando?

Bastava usar roupa clara, especialmente amarela, passar debaixo de algum arbusto e lá vinham eles sobre nós, em nuvens, pobres mortais indefesos àqueles insetinhos pra lá de inconvenientes!...

É bem verdade que, além da chateação, eles colocavam nossos olhos vermelhos, inchados e ardendo como fogo! Eram mesmo muito desagradáveis. Levávamos um tempão até que as vistas melhorassem.

Os rios da cidade eram limpinhos, pois o então governador Carlos Lacerda não deixava a sujeira acumular. Nem mendigos e malandros pelas ruas. Uma época em que a cidade do Rio de Janeiro e seus habitantes eram cuidados.

Hoje está bem pior; essa juventude de agora não imagina os tempos tranquilos e amenos de antes.

Noutro dia eu estava numa esquina, aqui em Ipanema, quando uma fumaça esbranquiçada e intensa começou a subir pelos meus pés. Estava em cima de uma daquelas tampas nervosas que deram agora pra voar, matar, atemorizar. Nossa! Fiquei atônita. Atravessei e vi quando um carro da Light chegou e colocou uma bandeirolas ao redor. Viva!

São muitos os problemas de hoje. Mas não sou saudosista, não! Até porque meu tempo é o hoje. Não vou ficar discorrendo sobre os baitas problemas que nos incomodam. Ladrões, corrupção (isto tudo já existia, mas em números menores...), má educação, professores despreparados, mosquito que mata, violência, sociedade minada pelas drogas, depressão, péssimos médicos que esquecem seus juramentos... A listagem é grande.

Então, pra amenizar o percurso da vida, ou para vivê-la melhor, me incluo na prática da Meditação, no mergulho na Poesia, na apreciação das Artes, na contemplação do horizonte, nos passeios ao Jardim Botânico, no convívio agradável das amizades.

Dirão alguns:" _ E na ajuda ao próximo? "

Bem, isto é fundamental até para a sanidade mental, mas quando se ajuda alguém , não é preciso que se proclame. Há de ser um comportamento natural e rotineiro.

Não preciso sentir saudade do tempo dos lacerdinhas; os pássaros vieram na minha janela; o sol brilha como nunca e hoje o virtuoso Yamandú Costa se apresenta no Teatro Municipal! Ainda bem que coisas boas acontecem.


Amigos, se este site não corresponder a sua expectativa, perdoem-me; tentei atualizá-lo como o próprio blogger sugeriu e aconteceram coisas imprevisíveis: meu nome quebrado, nomes dos seguidores desaparecidos e outras coisas mais, como, por exemplo, não consigo baixar fotos. No entanto, escrevo como sempre, acalentando a idéia de que vocês se importarão mais com a leitura do que com a apresentação.

Mais uma vez peço desculpas e espero que o site conserte isto.Um grande abraço.



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

MINHA VOZ SERÁ OUVIDA?...

TENTEI ATUALIZAR ESTE BLOG, COMO SUGERIRAM; O QUE ACONTECEU FOI QUE MEU NOME, AO LADO DO RETRATO, SAIU TODO CORTADO, OS NOMES DOS SEGUIDORES DESAPARECERAM E NÃO CONSIGO MAIS POSTAR FOTOS. DE MODO QUE ME PERDOEM AQUELES QUE ME LEEM, PORÉM, ESTÁ HAVENDO ESTA DIFICULDADE E NÃO SEI RETORNAR AO ANTIGO MODO DE POSTAGEM. COMO ESTE BLOG FOI MENCIONADO POR MIM NO MAIS RECENTE LIVRO DE MINHA AUTORIA__" NA TRILHA DA POESIA__ poesia para crianças dos 8 aos 88", TENTO CONTINUAR NESTE BLOG, CASO ALGUM LEITOR ACEITE MINHA SUGESTÃO E CONFIRA AQUI OS MEUS ESCRITOS.

SE ALGUÉM QUE ME LÊ SOUBER COMO FAZER, POR FAVOR, ME ORIENTE. FICAREI MUITO GRATA.

E VIVA A MODERNIDADE COM SUAS AINDA PRECÁRIAS REVOLUÇÕES TECNOLÓGICAS!...

sábado, 1 de outubro de 2011

PUREZA



Num cruzamento nas imediações da Lagoa Rodrigo de Freitas, há alguns anos, eu estava parada no sinal, dirigindo o meu velho e fiel Opala. Chovia, era inverno, os vidros estavam fechados. E aproximaram-se alguns garotos, sendo que um, em especial, serviu-me de inspiração. Até hoje ao lembrar-me da cena, me emociono. Então, compus...


PUREZA

Aquele negrinho que vi por minutos

Ria...

Por dentro eu chorava,

Pois ele não compreendia

A real situação

Naquela sua euforia:

A miséria o confortava

A fome o conduzia

O frio o enregelava

E ele sorria, sorria...


Conversando hoje com uma amiga, discordamos quanto ao motivo que estaria na base de toda a violência e hostilidade que vem crescendo assustadoramente na sociedade. É gritante o comportamento cada vez mais agressivo da população. Um alto nível de stress, como um atordoamento.

Ela acha que seria o desnivelamento social e econômico; eu creio que há algo mais, há algo oculto que deforma a consciência. Creio também que existe uma luz, uma inquietação sublime acrisolada em cada ser.

Ser pobre não é motivo para ser cruel, mau, invejoso. Não.

Essa inocência, essa pureza mencionada acima, nos faz perceber que doce somos todos nós, que bons somos todos nós. Entreguemo-nos a essa luz macia da bondade e do afeto e deixemos que ela inunde o nosso espírito.



sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PRA MEDITAR

"META

a gente busca


CAMINHO

a gente acha


DESAFIO

a gente enfrenta


VIDA

a gente inventa


SAUDADE

a gente mata


SONHO

a gente realiza."





sábado, 24 de setembro de 2011

A EXAGERADA NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO

   Alguns escrevem e isto lhes basta! A pura alegria da comunicação pela palavra escrita, o esmerar-se cada vez mais, a ampliação natural do vocabulário, o progresso do corpo mental, a revisão de fatos e imagens mentalmente enquanto se debruçam nesta arte.
    Mas nem todos se contentam com estas alegrias. Não é o que procuram. Algo mais os movimenta em torno da escrita, uma necessidade  grande de reconhecimento e de aplauso . Não fazem a arte pela arte! Estão em busca de um alimento à vaidade e à presunção, talvez; atributos que todos nós, infelizmente, carregamos atrelados ao espírito. Tolhem, assim, a sua capacidade criadora.  
     Na Revista Brasileiros, de maio de 2009, li uma entrevista com Lygia Fagundes Telles, em que ela narrava alguns fatos sobre um concurso de literatura em que tiveram que mudar o voto, pois o idealizador do mesmo queria, por motivos aleatórios __ que não os de mérito do autor(e quem os há de julgar?), que fosse outro escritor o vencedor e não aquele que recebeu o maior número de votos a favor.
     Quando fico sabendo de coisas assim, confirmo esta minhas conclusões e que aqui vão como meros pensamentos, análises, este é um traço do meu feitio. Não passo a vida batida. Antes, reflito, observo, analiso. Faz parte do processo do progresso. Ou não?
       Há muitos concursos  em grupos literários e o objetivo , parece-me,  seja este: avaliar quem é o melhor ... A melhor poesia... Coisa estranha... A programação deixa a desejar. Tão bom cada um com o jeito próprio de expressão, a natural maneira de redigir. Então, ao se apresentarem, ficam esplanando os títulos, os prêmios, quando, na realidade, queremos ouvir sua criações!...  Até em livros infantis casualmente descobri uma imensa relação dos títulos e de prêmios ganhos ao longo da vida literária. Isto não é uma apresentação. Ora, ora, será que  é adequado à criança?  Só faltava dizer: "Vejam como eu sou inteligente, quanto valor eu tenho, quantos prêmios me deram..." Esta foi a minha interpretação... Que me perdoem. Ganhar prêmio não significa que a sua criação tem mais valor do que a de outro criador. E será este um motivo de arrebatamento?
     O comportamento esperado, pelo menos de minha parte , é que  apresentem sua obras! Falem o que criaram! Não expliquem, não se delonguem na exposição de incontáveis, inúmeros prêmios! Isto não fará com que nos solidarizemos com a mediocridade. Acho até que são comportamentos muito imaturos, crianças precisando de atenção.
     Iniciei no camino da Literatura num concurso e ganhei prêmio de edição. Na época, foi muito oportuno, estimulante. Mas, com o passar do tempo, a percepção foi aumentando e chego à conclusão de que isto é muito pouco. Dedicar-me a explanar parágrafos e mais parágrafos, quando não,  páginas e páginas com toda a formação, os prêmios e tais cousas  nada acrescentam a quem lê. É mesmo para se gabar... como diria um amigo que gosta de abrir o baú e catar palavras quase obsoletas... Vã glória...
     Tão bom avançar, ir em frente, não permanecer na mesmice de relatos enfadonhos de autopromoção. Os que nos lerem saberão se o que escrevemos lhes agrada... Na minha opinião, isto é o importa. Fazer a obra e soltar no mundo.
      "A procura de prestígio mostra uma sede de poder. Quanto mais ego, menos verdade, menos beleza. Quem é realmente criativo não se preocupa com a fama; ele fica tão feliz na realização que o desejo desaparece, já é aquilo que sempre quis ser." (Osho)

(a autora na New York Public Library, na seção infantil)