terça-feira, 8 de maio de 2012

SEMEANDO POESIA



     Neste ano de 2012, o Semeando Poesia vem com uma proposta diferente! Dizermos poesia em diversos lugares, ao ar livre! A cada mes, um local aprazível, para fazermos o que gostamos : falar poesia  nossa ou de outro autor. Sem compromissos, sem preocupações de qualquer espécie.
    Apenas a satisfação do encontro com a poesia. Pessoas que sintonizam com esta proposta já aderiram. O que importa, de fato, é a comunhão de ideais.
    No Forte de Copacabana, onde a paisagem é indescritível , onde o mar beirando o muro soluça sua canção, onde a brisa é constante e a beleza da natureza nos ilumina, foi o nosso primeiro encontro do ano.
    Depois, no jardim do Palácio do Catete. Lá, nos bancos em volta de um pequeno chafariz, nos acomodamos e vivemos duas horas ininterruptas de ideias e emoções palpitando em poemas belíssimos.
    No  Arpoador, diante da paisagem deslumbrante não poderia ser diferente. Apesar de termos tido algumas preocupações quanto à segurança logo no início, tudo foi sanado e trancorreu a reunião na mais absoluta alegria e  agradável confraternização. 
    A poesia tem esse dom de transformar, de elevar  a alma , fazendo com que ela paire acima das pequenezas do mundo.
    A companhia de Mário Quintana e de Cecília Meireles, Gilka Machado e  Manoel Bandeira,  por exemplo, alimenta a nossa mente e o nosso espírito. 
    Não podemos ficar mais indiferentes à solicitação que a poesia nos faz, alcançando um outro estado de energia, onde a  felicidade é encontrada.

"Minha vida não será, apesar de tudo, mais do que uma existência poética."
                                                                                            (Kierkegaard)   
 




domingo, 6 de maio de 2012

PAGANDO O PATO

     Cheguei à praça na hora combinada.
    Toda bonita, usando um sóbrio terninho e sapatinhos de salto mediano, minha amiga já nos aguardava. Conversava animadamente com o guarda. Uma praça pública precisa mesmo de proteção do Estado. 
    Abraçamo-nos, entusiasmadas. Afinal, seria mais um encontro do Semeando Poesia!
    A tarde estava serena,o céu límpido, azuis definidos, brisa suave...Perfeito o cenário. O local na praça eu já tinha escolhido no dia anterior, quando me dispus a ir até lá para ver o ambiente.Assim,localizei o espaço ideal para nos juntarmos em torno da Arte. Havia uns bancos num recanto um pouco sombreado, porém claro e luminoso.
    Então,logo depois que nos abraçamos, vimos uma cena dantesca! Um homem atordoado socando repetidas vezes um pato. Mirava a sua cabeça proferindo palavras agressivas e,ignóbil, acertava-o. Não nos contivemos. Olhamos sem entender, a princípio, a tal cena e,quando percebi, rapidamente minha amiga dirigiu-se para o desconhecido. Fui atrás dela, ainda confusa.Agora eu me preocupava com o pato e com Déa. 
    Minha amiga é de uma aparente fragilidade e sincera boa-vontade. Ingênua, acreditava que, com o seu discurso bondoso e franco, fosse demover aquele cruel coração do seu insano comportamento.
    Senti, ao aproximar-me, que ali havia uma multidão. Aliás, além deste homem, ao seu redor, figuras estranhas, criaturas desconcertantes olhavam, admiradas, para aquelas duas senhoras defensoras da ave! E com uma coragem nascida da indignação. E, em mim, a indignação era dupla, pois logo percebi a intenção malévola dos que nos cercavam.
    Como figuras quixotescas lá estávamos nós, praticamente à mercê dos ventos e com a arma do amor. E como o amor a toda intempérie vence, o desafio foi vencido, após uma dura batalha!
    O desajustado pediu cinquenta "contos" em troca da vida do bicho. Minha amiga, com o semblante tão puro e casto quanto o da Virgem Maria, tirou do bolso da calça uma nota de vinte reais , sussurrando: __"Moço, é tudo o que eu tenho comigo agora..."
    Ele deu um salto e meu coração disparou! Pensei rápido:"Pronto, é agora que o assalto se concretiza!" 
    Quando chegou bem pertinho dela, pegou o dinheiro e queria mais. Então, naquele minuto decisivo o repreendi com  a autoridade que imaginei ter  e seus olhos faiscaram contra mim com tal veemência que, por instantes, vi, ali, uma alma perdida. Porém, mesmo desajustado, aquietou-se, sentou-se e entregou o bicho já marcado pelo sofrimento. 
    A amiga agarrou-se ao pato! E eu, agarrei-me à amiga! Juntos, os três salvos, livres finalmente daquele embrião do demo!...
    Outras pessoas apareciam e chegamos a ser alertadas por um transeunte de que, no alto do morro, que fica dentro da Praça, havia muitos outros malfeitores.
    Minha amiga estava decidida a somente libertar o pato de seus braços quando soubesse para onde levá-lo. E descobriu-se que, nos fundos da Igreja que dão para esta praça, há criação de patos e galinhas!
    Nisso, o pato solta-se e foge para uma plantação espinhosa. Déa se compromete a pagar dez reais a quem pegar o pato e devolvê-lo à igreja. Não faltaram pretendentes, até que um conseguiu realizar a façanha.
    Enquanto tudo isto acontecia, o guarda sumira e o grupo tinha chegado.
    Atônitos,  demoramos a nos concentrar na poesia! Foi difícil iniciarmos. As ideias negativas afloravam. Porém, como sou obstinadamente convicta de que tudo pode ser transformado, tentei lembrar a todos o objetivo do nosso encontro. Que mudássemos o foco do pensamento!
    E assim comecei a ler o lindo poema de Gilka Machado, Sublimação:

O mundo necessita de poesia,
cantemos alto, poetas, para a humanidade;
que nossa voz suba aos arranha-céus,
e desça aos subterrâneos
...

   
         Aos poucos, os ânimos foram serenando. O poder da poesia foi colocado à prova! Ela venceu a violência, a ignorância, o descaso, a crueldade.
   O Semeando Poesia mostrou a que veio: dissipar trevas, alegrar corações, transformar.
Bendita arte!...
       

terça-feira, 1 de maio de 2012

COMO AMAR UMA MULHER

     Acho que ele é arquiteto. Trabalha especificamente num programa de TV, quando seus serviços são necessários para atender uma solicitação de alguma telespectadora. Ele é diferente. Chora! Chora quando o seu coração sensível é tocado pelo amor, quando a história de vida do premiado no programa é de superação, ou ele percebe muito sentimento unindo a família do escolhido. Muito criativo, renova aposentos e, assim, instaura a alegria, tudo com a simplicidade e a genialidade que flui de si, naturalmente.
    Gosto de ver homem que chora! Que não ficou apegado à ideia de que homem não pode demonstrar sentimentos...  Então, estamos treinando meninos para serem psicopatas? Até que alguns conseguem, infelizmente, se tornarem alheios ao sentimento do outro.
    Agora, cá entre nós, homem chorão não significa necessariamente homem sensível; no mundo moderno há de tudo e tudo está escancarado.   Existem homens fingidos, adoentados, beberrões...que choram!
    O que não pode, de jeito nenhum, é homem fazer sofrer a mulher que o ama. Mas é o que mais tem. Nem percebem que ela está ali, dedicada, ensolarada e ensolarando  a sua vida. Se não fosse ela, com a alegria que lhe é própria, a inteligência, o carinho, a paciência e a disposição,  provavelmente sua vida seria medíocre.
    Não adianta vir com a conversa de que o trabalho é muito importante, é o que faz o homem. Sem dúvida, homem malandro dá dor de cabeça, é, portanto, inadmissível. Mas o trabalho e a sua realização nele não o impedirá de crescer pelo amor também; isso o tornará grande e forte; a atitude de carinho para com a companheira, de respeito e admiração fará com que a aliança entre eles se torne indestrutível, indissolúvel..
    Mulher quer carinho, zelo e atenção. Ela é mais tocada pelo coração. Se o homem  ferir  sua mulher em questões éticas, em compromissos desvalorizados, esquecidos, em atitudes hostis, mesmo pequenas, em desatenção constante, estará minando algo precioso e difícil de encontrarmos: o amor em toda a sua expressão, o bem mais precioso da vida.
    Coração destroçado, corroído pelo descaso,  aos poucos  a relação de afeto minguará. E não há nada mais injusto do que nos deixarmos levar pelas tolices da imaturidade.  Como uma teia  construída lentamente pelo comportamento descabido, provocado às vezes pela inveja e pela maldade de  pessoas mal intencionadas,  quase todos os planos serão tolhidos nessa trama. São inúmeras as ações engendradas pelos maus e desafortunados que não conhecem a afeição.  Pelos gananciosos. 
    Há esperança de que seja restaurado o sentimento primeiro, aquele que motivou este homem e esta mulher a se unirem. Há recursos. Há vida ainda. Necessário que se expanda a consciência, que a humildade tome conta do coração para vermos com nitidez toda a grandeza, toda a beleza de uma aliança plena e feliz, sustentada pelas vigas do amor.


VERSOS DE FELICIDADE
(Olegário Mariano)
...
Deste um raio de sol à minha treva
E um sorriso feliz à minha boca.

   

domingo, 29 de abril de 2012

TERAPIA JÁ !

    " Não pode!"
  "Não deve!"
  "Isso é feio!"
"Psiu! O adulto está falando!"
Isto é pecado!


     Era tanta opressão que nos acostumávamos; principalmente nós, meninas, doces, atentas e submissas ao que nossos pais determinavam.
     Ainda bem que, com a tal da maturidade, algo aconteceu em nossas consciências. Abriu-se um clarão. Ao longo do tempo, percebíamos que tínhamos ideias proprias, desejos nossos, o coração tinha voz, não era mudo. 
     E, assim, aos poucos, fomos realizando o que realmente importava para nós. 
     Mas, voltando no tempo, recordo-me que na sexta-feira santa não podia falar alto, assobiar(papai sofria, pois vivia assobiando), ou mesmo cantarolar, que era quando minha alma se libertava! Granada era o que mais gostava. Pulmões jovens, força na voz, vontade de me soltar. E quando soube que nossa vizinha curtia meus momentos de estrela, chegando a dizer-me que aquele era o momento mais alegre do seu dia, aí mesmo foi que passei a caprichar. Aliás, pensando melhor, fiquei mais atenta à letra da canção, porque sabia que alguém me ouvia e apreciava. Perdi um tanto da naturalidade. Afinal, não queria  decepcionar ninguém!
     Quando o Semeando Poesia se reuniu nos jardins do Palácio do Catete, em abril passado, na primeira sexta-feira, surpreendi-me. A primeira sexta do mes era sexta-feira santa! Portanto, pensei, talvez ninguém comparecesse. Mas, eu iria. Ah, sim, senhor! Iria dizer poesia no jardim, semear alegria boa, dessa que faz bem ao coração.
     Cheguei mais cedo, como costume, e lá encontrei um casal e um parente deles já à minha espera. Bem, pelo menos mais gente iria compartilhar comigo desta euforia. E foram chegando... as amigas... os curiosos... as pessoas que me avisaram que não iriam , porque teriam compromisso na Igreja...
     Lá estavam todos eles animados, com seus livros, com os poemas seus e de outros autores. Foi uma festa! Ainda tentei dar um tom místico, dizendo Falai de Deus, de Cecília e duas de minha autoria de cunho espiritualista: Deus (originalmente escrita em inglês como You are God! e premiada nos Estados Unidos) e Porquês (consta na Antologia dos Poetas Brasileiros, de 2010).
     Após cerca de duas horas de poesia, uma delas pede para dizer uma piada . Não pude negar. Afinal, são 83 anos de vida, deixou o canto lírico por motivo de saúde e dedica-se agora à literatura, principalmente à feitura de poemas. Não pude negar. Falou e fez todos ali presentes sorrirem. E o que mais precisamos nesses dias? De sorrisos! 
     Como crianças, que descobrem um brinquedo novo e atraente, quase todos também lembraram de alguma piadinha inocente e compartilharam conosco. Foi mágico! Vi rostos que chegaram meio acabrunhados saírem dali sorridentes, felizes.
     O caminho da Arte não tem volta. Preenche tanto os nossos corações, alimenta tanto a nossa alma que viver sem ela está fora de cogitação. Melhor do que terapia, não precisamos remoer o passado injusto.
     Terapia já, de poesia, é claro... 
    




  
    

sábado, 28 de abril de 2012

DECLARAÇÃO DE AMOR

     Poderia ser uma declaração de amor à Terra, nosso planeta tão castigado, principalmente pela indiferença dos homens. E amo tanto este ser vivo que nos acolhe, nos alimenta, nos sustenta. Uma declaração de amor à natureza! E este amor faria brotar a esperança e ampliar  o entendimento de todas as coisas, pois  como dissera um monge tibetano: " A Natureza é o único livro que eu preciso ler."
     Dizer do meu grande amor pela própria vida, que nos dá a oportunidade de nos desenvolvermos, de progredirmos, de nos aperfeiçoarmos. Abençoada vida! E assim, recordo-me de minha mãe, sempre pronta para ajudar; criatura maravilhosa que me impulsionou para a concretização de ideais sonhados. Forte, destemida, arrojada. Tudo o que realizou em vida foi sempre objetivando  o bem.
     Eu também__ e por que não? poderia declarar um sentimento exacerbado por algum homem belo e gentil  que me fizesse ouvir sinos a embalarem sonhos de amor.
     E por aí perco-me quase, a desenrolar o fio das recordações que fazem o coração pulsar acelerado pelo arranque do amor. Pessoas queridas que enriqueceram a minha vida. A família, os parentes, os mestres, os amigos.
    Mas esta página dedico a um outro ser. Sim, faz parte da família, porém, chegou há pouco. Seus olhos me remetem a um tempo passado, quando tudo para mim era uma doce ilusão. Seu olhar traz uma pureza, uma brandura que toca a pureza que existe ainda lá dentro do coração. Mexe com a profundeza do meu ser.
    Sua ingenuidade provoca um sentimento dilatado de amor. Traz à tona aquela alegria deitada no fundo do poço... Mesmo sendo pequenino, cresce em minha mente a sua imagem. Cresce e sua figura alegre e brejeira ilumina meu coração , tomando-o completamente. Ele é a própria poesia que a vida me deu.Uma poesia feita por minha filha em parceria com o meu genro...Mas a sua alma, vinda de outras esferas faz repercutir em nós o som mavioso  da vida!
      A cada minuto, sua presença é tão viva e tão marcante que as palavras soam fracas, débeis sons quase inexpressivos. Não conseguem capturar toda a grandeza desse poema que é meu neto!  Sempre " Nos lábios um sorriso de alegria..."(*)
     " Pouco me importam dores já sofridas..." (*) Sinto-me renovada e feliz.


...
"No fundo de um poço
deitei a alegria
dizendo-lhe: 'Espera,
que volto algum dia,
com louros e rosas,
Amor e Poesia."
...

(trecho de A Alegria, de Cecília Meireles)


(*)trechos de poemas de Renato Travassos
    

sexta-feira, 27 de abril de 2012

ÁGUA + CONHECIMENTO

     Dizem os cientistas que o nosso corpo minguará sem água, principalmente o cérebro. Estudos e pesquisas são feitos intensamente sobre o cérebro. Sabe-se pouco, ainda.
     Li esta reportagem numa dessas revistas que vem cheinha daquelas informações que em breve esquecemos. A chamada cultura inútil. É a minha preferida quando viajo, pois não pesa, é pequena e, portanto, prática. Li no avião.
     Até que esta edição, além das piadas e informações perfeitamente dispensáveis, chamou-me a atenção. Nunca estivemos tão focados na saúde, na prevenção de doenças, no mistério da vida e da morte.
    Há incoerências na humanidade atual. Fala-se em corrida matinal para manter-se a forma e bebe-se cerveja no fim de semana (dentre outras preferências, piores e mais danosas); fala-se em prevenção da Aids e se esquece da camisinha (abrindo  parênteses, sempre achei esquisita esta história. Não seria bem melhor cada um de nós escolhermos alguém e com esta pessoa  vivermos as delícias do sexo e da vida a dois, incluindo a parceria, a compreensão, a tolerância, a boa vontade, a amizade, enfim, o Amor? Amor... tão cantado e tão mal resolvido nos corações... não sabemos nem amar a nós mesmo!?...quanto mais o outro...)
     Os pinguins, dentre outros animais, são bem resolvidos nesta questão. Escolhem uma parceira e pronto. Está formada a família para toda a vida. Coisa linda!...
     Vi um filme chinês há algum tempo, que me despertou. Realmente, os homens são inquietos, sua natureza é incontrolável. Desviam-se até das próprias convicções, deixando-se atrair por outras. No filme, o homem ao longo da vida, ia 'colecionando' suas esposas; à medida que elas envelheciam, ele procurava outra , mas não despedia a anterior. A ex-esposa contentava-se em permanecer na casa, junto à nova mulher, ajudando-a em alguns procedimentos. E todos viviam felizes para sempre.
     Leio agora um livro onde as ideias de Nietzsche são dissecadas, talvez com o intuito de atingir um público maior, para que o cérebro não derreta de vez. Água, estudo e bom pensamento__passeio da alma, tornarão o cérebro saudável, longe daquelas terríveis doenças ainda incuráveis__ temor de todas as criaturas de idade avançada, já que conseguiram vencer as barreiras dos micróbios, dos vermes , dos virus, das bactérias, da poluiçao e dos acidentes de toda espécie.
     E é um pensamento deste filósofo que deixo aqui para reflexão:" Nosso tesouro está na colmeia de nosso conhecimento. Estamos sempre voltados a essa direção, pois somos insetos alados da natureza, coletores do mel da mente."
  

quarta-feira, 25 de abril de 2012

INCOERÊNCIAS

     Às vésperas da minha volta ao Rio de Janeiro, comungo com os pássaros e canto alto as  minhas incoerências. Cedinho, a passarada estridente chilreia por entre as folhagens espessas das árvores enfileiradas aqui da rua. E eu, a tudo observo, calada.
     Vontade de ficar, de brincar mais com o netinho, de rever os amigos poetas baianos, com os quais criamos vínculos de admiração e de amizade. Ouvir suas trovas bem construídas, seus haicais libertados, sua poesia forte e repleta de sentimentos.
     Mas o tempo urge. Passo pelo tempo de maneira mais rápida do que gostaria de passar. Deixo alguns corações tão saudosos quanto o meu, que já dá mostras de cansaço. 
     Retornarei a minha Ipanema querida, cenário dos meus dias, em que recuperei alegrias então perdidas e sonhos desgastados. Quando o táxi  que tomo no aeroporto passa pela Lagoa, fico absorta, vendo todo aquele esplendor de natureza. A cidade do Rio de Janeiro é mimosa, agrada os olhos e o coração.
     O que dizer, então, da Pedra do Arpoador?  Sempre ali meditava, ouvindo a cadência do mar e o canto dos pássaros. Até um quero-quero juntou-se a mim, certa vez.
     Quando penso nisto que me espera, os amigos, os grupos aos quais me dedico com a alegria de uma adolescente entusiasmada, renovo a esperança de que conseguirei com tranquilidade me distanciar por algum tempo daqueles com os quais tenho vínculos de família e que amo de paixão.
     Mas sei que, ao chegar ao Rio, aos poucos serei invadida por uma ansiedade atroz de revê-los, de tocar neles, de ouvi-los pessoalmente, não mais por telefone ou skype... Uma vontade danada de acompanhar de perto o crescimento do netinho, suas peraltices e seu progresso. De saber dos planos e verificar o entusiasmo do meu genrinho, de apreciar a face bonita e serena da minha filha, ver com alegria a sua maior realização, a sua intensa dedicação amorosa, o seu mais afortunado título: Mãe! 
     Viver o presente é a solução adequada para nos mantermos em equilíbrio, com saúde e alegria. Controlar essa força chamada ansiedade não é fácil, especialmente quando estamos envolvidos pelo sentimento do amor. Fazer com que o amor se destaque de outros sentimentos é a tarefa a que me proponho no dia a dia.
     Parceria com a alegria e total dedicação à vida, do jeito que ela se apresentar__ este é o roteiro de uma mulher com os pés no chão e o coração alado!...
    
                       (pintura em tinta acrílica, s/papelão da praia do Diabo, Arpoador)
www.flickr.com/photos/sylviapoetisa